A Câmara Municipal de Porangatu foi palco, nesta terça-feira (10/02), de uma audiência pública que reuniu vereadores, lideranças políticas, representantes sindicais, servidores da Saneago e membros da sociedade civil para discutir a possível privatização da companhia de saneamento de Goiás.
O encontro trouxe à tona argumentos técnicos, econômicos e sociais relacionados ao futuro da empresa. Um dos principais expositores foi João Maria de Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas no Estado de Goiás (STIUEG), que apresentou dados sobre a situação financeira da companhia e destacou que a Saneago conseguiu comprovar sua viabilidade econômico-financeira dentro das exigências do novo Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026).

Durante o debate, também foi mencionada uma campanha institucional divulgada pela própria empresa em 2025, que ressaltou investimentos recentes, ampliação da cobertura de esgoto e melhorias operacionais nos últimos anos. Para os participantes da audiência, a divulgação desses resultados reforça a necessidade de um debate aprofundado sobre a real necessidade de transferência do controle para a iniciativa privada.
VEJA O VÍDEO:
Outro ponto central discutido foi o chamado “subsídio cruzado”, modelo que permite que municípios maiores contribuam para viabilizar o atendimento em cidades menores. Segundo os defensores da manutenção da empresa pública, esse mecanismo garante equilíbrio regional e acesso universal aos serviços de água e esgoto, especialmente em localidades com menor capacidade de arrecadação.
Dados apresentados durante a audiência indicam que a Saneago já alcança altos índices de cobertura de água tratada e esgotamento sanitário, com metas voltadas à universalização até 2033. Representantes sindicais alertaram, no entanto, para possíveis impactos de uma eventual privatização, como reajustes tarifários e mudanças na política de investimentos.
A discussão em Porangatu integra um movimento estadual que vem mobilizando trabalhadores, gestores municipais e parlamentares. Estão previstas novas manifestações e encontros em Goiânia nas próximas semanas, incluindo um ato público no CEPAL e mobilização na Assembleia Legislativa de Goiás.







